Aftershock

Em resposta à crónica de João Miguel Tavares, "O meu apelo aos professores portugueses", onde realça "no ensino à distância, falta aos professores a literacia digital necessária para competir com a janela do Instagram aberta ao lado do Google Classroom; no ensino presencial, são um dos grupos mais vulneráveis aos efeitos da covid-19" e "a perda progressiva de um sentido profundo de dever cívico por parte de muitos professores, após décadas de frustração e de confrontos com sucessivos governos". Dois pontos que fundamentam a questão chave da crónica: "A diferença na qualidade de acompanhamento à distância dos melhores colégios privados é gigantesca face às escolas públicas, e a maior parte dos pais não está seguro de que não venha a ser necessário um novo confinamento."

Uma crónica, que destila lugares comuns para dar a ilusão de inovação nas críticas à Escola Pública e que não equaciona o papel de apoio de inúmeras escolas às comunidades educativas num modelo de ensino remoto de emergência e de crise económica. Uma crónica, que pela enésima vez, compara escolas públicas às melhores escola privadas, ignorando propinas, orçamentos, parque informático e situações económicas dos agregados familiares.

Um sentido profundo de dever cívico será compatível com ignorar grupos de risco de contrair a covid-19 em determinadas classes profissionais?