Transição digital

Resolução do Conselho de Ministros n.º 30/2020 - Diário da República n.º 78/2020, Série I de 2020-04-21

Sumário: Aprova o Plano de Ação para a Transição Digital.

Resolução do Conselho de Ministros n.º 30/2020

O Programa do XXII Governo Constitucional considera a transição digital um dos instrumentos
essenciais da estratégia de desenvolvimento do país, em alinhamento com os objetivos políticos que irão nortear os investimentos da União Europeia no período de programação 2021 -2027, de acordo com o novo quadro da Política de Coesão.
A construção de uma sociedade digital é assim identificada como uma oportunidade para
reinventar o funcionamento e organização do Estado, orientando -o mais para o cidadão, para
reforçar a competitividade económica e para desenvolver um clima favorável à inovação e ao
conhecimento.
A aposta numa economia e numa sociedade baseadas no conhecimento, em que o crescimento da produtividade assenta na inovação e na qualificação das pessoas; numa sociedade inclusiva, que a todos oferece as competências para participar nas oportunidades que são criadas pelas novas tecnologias digitais; numa economia aberta em que o Estado apoia o processo de internacionalização das empresas e a modernização da sua estrutura, constituem assim vetores essenciais ao desenvolvimento económico do país.
As novas tecnologias digitais, como os sistemas de inteligência artificial, a tecnologia 5G, a
computação em nuvem e de proximidade e a Internet das coisas, constituem -se, no seu conjunto, como um dos principais alicerces da transição energética da economia, em particular dos setores industriais estratégicos para Portugal e do seu tecido empresarial. Como tal, a transição digital deve ser assumida como catalisador da transformação industrial em curso, no sentido de facilitar o cumprimento das metas de longo -prazo de neutralidade carbónica, em linha com as orientações do Pacto Ecológico Europeu e com o desafio estratégico do Governo relacionado com a resposta às alterações climáticas.
Pretende -se que Portugal esteja na linha da frente dos países que melhor estão preparados
para enfrentar os desafios e mudanças inerentes a uma transição global, garantindo que a mesma resulta numa maior igualdade e inclusão dos cidadãos, num reforço dos pilares democráticos, num aumento na competitividade da economia e da captação de investimento, nacional e estrangeiro, bem como na criação de valor pelo tecido empresarial. A par disso, importa também criar condições favoráveis ao setor público para prestar melhor serviço e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida ao cidadão. Trata -se igualmente de promover o alinhamento das prioridades digitais nacionais com as políticas, quadros regulamentares e fontes de financiamento da União Europeia por forma a maximizar o impacto dos resultados.
Para tanto, urge incentivar a adoção, por parte das empresas e do Estado de ferramentas e
instrumentos mais modernos que contribuam para a criação de mais e melhor emprego, bem como incentivar a aposta em novos modelos de produção que incorporem as tecnologias associadas à digitalização.
A realização destes objetivos passa, inevitavelmente, por investir, mais e melhor, ao nível digital nas pessoas e nas suas qualificações, durante o percurso académico e profissional, através de um forte investimento na formação, na educação e na ciência.
Para concretização desta aposta fundamental importa definir uma visão estratégica global para
a transição digital que, com uma abordagem transversal, identifique os principais desafios da sociedade portuguesa e que concretize a operacionalização das políticas nesta matéria. Este desiderato requer a adoção de uma perspetiva integrada e transversal a toda a atividade do Governo.
Neste âmbito, pretende o Governo definir, através da presente resolução, o novo enquadramento institucional em matéria de transformação digital, quer ao nível das empresas, quer ao nível da Administração Pública, quer ao nível do cidadão em geral, através da aprovação de um plano de ação para um Portugal mais digital, que contemple iniciativas estruturantes, combinadas com medidas de impacto mais imediato.
A presente estratégia assenta igualmente numa avaliação de todas as iniciativas e programas
já existentes, promovendo uma apreciação crítica que assegura a continuidade de todos os projetos relevantes e com impacto.
Assim vem o Governo aprovar o Plano de Ação para a Transição Digital, enquanto documento
estratégico de apoio à implementação de medidas que visam a transição digital do Estado, das
empresas e do cidadão em geral.
Assente em três grandes pilares de atuação e catalisadores, o Plano de Ação para a Transição
Digital desenvolve de forma integrada um conjunto de medidas que procuram articular as diversas sinergias e políticas setoriais.

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