30 de setembro - Dia da Nacionalização das Roças

Estar em São Tomé em São Tomé e Príncipe e não visitar, conhecer ou contatar com as roças é algo que só será possível numa realidade virtual.

São Tomé e Príncipe foi durante as duas primeiras décadas do séc. XX um dos maiores produtores mundiais de cacau, rivalizando com países como o Brasil (8514900 km²) ou o Gana (238530 km²), embora tenha uma pequena área superficial (≈1001 km²).

A produção de cacau e café motivou a criação das roças, optimizadas essencialmente para a produção destes produtos, que são atualmente um testemunho vivo da história do arquipélago.

O termo roça provém da expressão "roçar o mato", ainda hoje utilizada nos meios rurais de Portugal e que significa desbravar o terreno ocupado pela floresta (obô em São Tomé e Príncipe) e abrir clareiras propícias ao cultivo de café e cacau, principalmente.

As roças foram desde a sua criação até à independência de São Tomé e Príncipe, locais que visavam a eficiência e a produtividade, com regras próprias de funcionamento e, muitas vezes, autossuficientes.

foto roça

Roça Sundy -
Cavalariças (Príncipe)

Na época colonial, entre os proprietários mais significativos, encontramos as figuras de Francisco Mantero (fundador da Companhia Agrícola Colonial - Porto real, Água-Izé, ...), Jerónimo Carneiro (Sundy, ...) e Marquês de Valle Flôr (Rio Ouro - atual Agostinho Neto, Diogo Vaz, Fernão Dias, ...).

Em 1975 ocorre a independência de São Tomé e Príncipe e, em consequência deste processo, a nacionalização das roças / empresas agrícolas. Nas décadas subsequentes ocorre um progressivo abandono da atividade principal das roças, essencialmente uma estrutura especializada em monoculturas intensivas, evoluindo, na sua maioria, para espaços habitacionais e a atividade agrícola que existe é de subsistência.

Espaços de uma arquitetura admirável, com enorme potencial agrícola e turístico, necessitam de um novo rumo e futuro.